Quarta-feira, Julho 01, 2009

Pride and Prejudice and Zombies

Não sei bem como começou este fenómeno dos remakes no campo da literatura.

Talvez seja uma evolução natural do fenómeno das sequelas ou talvez seja uma profissionalização da moda de escrever fanfiction, mas o facto é que me parece que os remakes literários - e vou chamar-lhes assim porque passa a mensagem e me parece que ainda ninguém criou uma nomenclatura melhor - vieram para ficar.

A ideia é clara e simples, e passa um pouco pela fórmula que é usada para a música e o cinema: pegamos numa obra que já existe e damos-lhe uma roupagem diferente, mantendo a estrutura básica para que a obra seja reconhecida e apreciada pelo público conhecedor do original ao mesmo tempo que tenta utilizar as diferenças para captar um novo público.

Parece-me que é quase um dado adquirido que remakear - new word! - uma obra mais conhecida tem uma probabilidade bem maior de atingir um publico mais vasto, ou seja ter um maior número de vendas, do que remakear uma qualquer obra obscura de um autor maldito.

Este fenómeno é de tal forma evidente que muito autores estão já a fazer remakes das próprias obras, usando o truque sempre bom do contar-exactamente-o-mesmo-mas-de-outra-forma-ou-seja-as-mesmas-personagens-nas-mesmas-situações-com-os-mesmos-diálogos-mas-do-ponto-de-vista-de-uma-personagem-diferente.
Um dos exemplos mais flagrantes é o caso da Stephanie Meyer (parece que falo sempre no mesmo, mas a culpa não é minha) que prepara uma nova versão de Twilight, mas contando agora a história do primeiro tomo da série do ponto de vista do vampiro.
Tenho uma estranha sensação nestes casos. No fundo, é como se os autores estivessem a fazer fanfiction das suas próprias obras!... (shudder!)

Estes remakes conseguem por vezes fugir um pouco à fórmula anterior, apresentando takes efectivamente diferentes, mudando o enfoque da história e criando situações diferentes; o que pode ter um efeito colateral complicado porque pode levar o autor a recriar as personagens e atribuir-lhes comportamentos e atitudes que os fãs não lhes reconhecem, alienando assim o público do trabalho original.
Cheguei a ver comentários na Amazon neste sentido, onde fãs irados tratavam as personagens como pessoas reais, que eles conheciam detalhadamente, afirmando: "Ela nunca faria isso! Ela nunca diria isso!".

Há, no entanto, algumas obras curiosas que apesar de serem remakes literários conseguem acrescentar dimensões interessantes às histórias originais e isso dá-lhes mérito próprio. Lembro-me do caso de Mary Riley de Valerie Martin que me pareceu bastante interessante.

Antes ainda de abordar o livro que me levar a criar este post, resta-me recordar o leitor mais distraído que sou uma assumida fã de Jane Austen e uma coleccionadora edições de Pride and Prejudice: diferentes formatos, diferentes línguas, continuações e remakes.
Tenho-o até em Holandês e Dinamarquês, em BD e em texto dramático; confesso que tenho os "diários" de Mr. Darcy em diversas versões por diferentes autores, a versão digest e o companion da série da BBC de 1995 com fotografias dos locais de filmagem e até uns livros onde o casal Darcy se transforma numa espécie de parelha Poirot . Deuses, até tenho uma coisa verdadeiramente assustadora - sim, mais do que as enumeradas anteriormente - que é uma versão christian novel do romance, muito mais pudica - se é que conseguem imaginar - e passada nos dias de "hoje".

Assim, quando descobri que iria sair um novo remake, desta vez uma edição virada para o horror, fiquei atentamente à espera que estivesse disponível uma versão softcover para comprar.

Já comprei e já li (dentro do possível).

Deixem que vos diga que este trabalho é mau e que o pior é que ele é essencialmente preguiçoso.

Seth Grahame-Smith, autor (de apenas algumas linhas), agarrou no texto de Austen, provavelmente downloadando uma versão digital do Project Gutenberg ou qualquer coisa semelhante, fez um copy-paste para dentro de um documento Word e foi colocando umas frases pelo meio, sempre tudo relacionado com zombies e a estranha praga que grassa pelas terras de sua majestade... e voilá!
Está feito um fabuloso "New York Times Best Seller" como diz o sticker na capa da minha edição.

De facto, pensado bem, devia ter percebido isso imediatamente no momento em que o nome de Jane Austen é colocado na capa num tom de quase "parceira" do projecto, como se o livro tivesse sido escrito a quatro mãos.

Como é que é possível que tenham deixado publicar uma coisa destas!
Chega ao ponto dos acrescentos de Grahame-Smith nem sequer fazerem sentido!

Tentei mesmo dar uma hipótese ao livro (caramba, se eu li a versão em christian novel e esta era mesmo mázinha...) e cheguei a usar duas abordagens diferentes no que toca à sua leitura.
Numa primeira linha, tentei ver o livro como um remake de uma história que já conhecia e partir daí: foi terrível, tudo soava tão oco e absurdo (in a bad way) que tive de desistir.
Voltei ao livro algumas leituras depois, abordando o produto como sendo uma coisa absolutamente nova e séria, numa mistura efectiva da vida na época da Regência com zombies, numa espécie de história alternativa. Ainda foi pior.

O facto de manter todo o texto original e, ao longo de várias páginas seguidas, alterar apenas algumas palavras e contextos, como limitar-se a transformar os dotes de piano e costura das meninas das várias famílias em treinos de judo com mestres orientais e habilidades com catanas, quebra o texto e a história.

Aposto que, mesmo quem nunca tenha lido nada de Jane Austen, consegue facilmente distinguir a sua prosa da de Grahame-Smith! É mesmo assim tão obvio, garanto!

Ver uma Lizzie a queixar-se que 50 milhas é muito longe tendo em atenção que aos 21 anos já foi duas vezes ao Oriente é um pouco, como direi?... deslocado? pouco consistente?

Não sei quem serão os leitores de uma obra destas: não estou a ver os fãs de livros de zombies com paciência para a linguagem e os enredos de Austen a cru, nem estou a ver os fãs de Austen a ter muita vontade de encontrar o Mr. Darcy a cortar cabeças aos zombies da vizinhança enquanto regressa à sua adorada Pemberley.

O que mais de deixa aborrecida é sentir-me enganada: achei que ia encontrar aqui uma coisa original e engraçada.
Talvez a culpa seja minha e seja eu quem não tem o sentido de humor necessário para "perceber" o alcance e a dimensão do livro e da ideia do autor.

A ideia é gira, mas era preciso que o autor tivesse tido trabalhado e ter, de facto, criado uma versão alternativa onde os mesmos personagens vivem uma história de amor semelhante, mas com esta dimensão, que é uma dimensão de peso, com implicações maiores do que trocar as aulas de piano por aulas de artes marciais.

Este é, na minha opinião, mais um caso de uma ideia boa com uma execução duvidosa.
Podemos juntá-lo ao "30 Days Of Night" sem bem que é quase ofensivo: pelo menos este teve originalidade!

O meu veredicto é que o livro é mau.
É preguiçoso e um descarado roubo do trabalho de Austen, uma artimanha de baixo nível para ganhar uns trocos em direitos de autor.
Gostava de saber quanto é que este "autor" recebeu por este "trabalho" que lhe deve ter demorado, no máximo, umas duas ou três tardes a concluir!

Ah! mas entretanto, preparem-se porque há mais gente a achar que este é um bom filão: "The War of the Worlds Plus Blood, Guts and Zombies" de H.G.Wells e Eric S. Brown também anda aí.
Pelo título e utilização do nome do autor original, cheira-me que o processo foi o mesmo

PS: e contrariamente ao que andam a dizer, o livro não é uma paródia ao original; é mesmo só um rippoff descarado.

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Quarta-feira, Junho 17, 2009

O Regresso aos Vampiros

Caso ainda restassem dúvidas relativamente à rotatividade dos gostos e modas, esta nova avalanche de vampiros e "vampiradas" nas prateleiras das lojas poderia certamente ser considerada a prova cabal.

Para além do regresso ao look semi-gótico e da músicas de bandas que tentam copiar descaradamente - e de forma fraquinha - Sisters of Mercy, The Mission, Bauhaus, The Birthday Party, etc. (depois do nu-metal o nu-goth?) a loucura está agora de "dentes ferrados" nos vampiros - pun intended...

Não tenho nada contra, mas - e conscientemente correndo o risco de ser mal entendida e soar pedante e elitista - confesso que sinto uma sensação de perda que me entristece ao ver este tema, que me é querido há mais de 20 anos no qual e com o qual fui crescendo e descobrindo, ser capturado pela população em geral e, nesse processo, mutado em algo que definitivamente já não é meu.

Acho que não será adequado, nem faz o meu estilo, bater no peito e invocar aquilo que era e já não é, numa atitude saudosista à la "Velho do Restelo". Estou num processo de interiorização das mudanças que ocorreram, de forma a tentar encontrar uma nova definição do conceito que tinha, sem com isso me sentir obrigada a repensar ou redefinir gostos.

Será impossível para mim dizer bem deste fenómeno dos vampiros de Stephenie Meyer, pois uma vez que considero desadequado dizer mal ou bem do que quer que seja sem ter experimentado (sigo a máxima da saudosa Alcina Lameiras: "não negue à partida uma ciência que desconhece!") quando a Amazon começou a propor-me a compra do Twillight decidi encomendar o primeiro volume do que aparentemente seria uma trilogia.

O livro chegou e eu li.

Para mim, não apresentou nada de novo.
Era apenas uma versão adolescente de uma amalgama de clichés que já tinha lido noutros sítios, mais bem explorados e mais bem escritos. Pior, as poucas inovações eram fracas e faziam pouco sentido, como o facto dos vampiros não saírem com Sol porque brilham o que lhes permitia saírem quando o dia estava nublado... (nem tenho palavras para dizer mais quanto a isto!)

Achei que ia ser uma moda passageira e descartei qualquer possibilidade da série se tornar o novo Harry Potter, como já estava a ser apelidada em alguns meios.
Não era mais que o dia-a-dia de uma adolescente que acaba de ser empurrada para um novo meio, um novo liceu e decide fazer amigos. O grupinho de beautiful people do liceu é constituído por uns miúdos que não falam com ninguém e que, aparentemente, são todos irmãos. Filhos adoptados de um casal também jovem. Numa espécie de Beverly Hills, mas com menos plot twits (se é que é possível!) vamos seguindo a vulnerável Bella na sua conquista ao giraço Edward.

Ah! o facto dos beautiful people serem vampiros é meramente acidental! A sério.
Para a linha da história, não acrescenta absolutamente nada! Podiam ser werepeople, bruxos, traficantes de droga ou mafiosos russos... ou estudantes de liceu.
É a clássica história de sempre:
  1. girl meets boy;
  2. girl likes boy;
  3. boy aparently doesn't like girl but actually really likes girl;
  4. girl needs help;
  5. boy helps girl;
  6. they get together;
Achei que era simplista e que teria os seus seguidores, tal como qualquer outro romance (Harlequim?) para adolescentes, mas não seria mais que isso.

Enganei-me.

A minha atenção sobre esta colecção regressou com a publicação do quarto volume da série e pelos piores motivos.
As queixas e reclamações que enchiam os fóruns da Amazon aparentemente batiam todos os recordes desde que Anne Rice lá foi postar um comentário por alguns leitores terem lá deixado impressões negativas sobre um dos seus livros.
Motivo? A autora tinha "revelado" o seu Lado Negro.

Aparentemente a bela e ingénua heroína acaba por finalmente se entregar às "dentadas" do sedutor Edward, mas não sem antes assegurar um casamento, decidir deixar de estudar ou trabalhar e dedicar-se a fazer Edwardzinhos para ser uma perfeita dona de casa.
Certamente também terá relegado o uso de roupa justa e passado a usar saias até meio da canela.

Não li o livro, posso não ter acertado em todos estes detalhes entusiasmantes, mas tendo consultado a biografia da autora, nem preciso de ler mais nada!
Stephenie Meyer é Mormon e decidiu usar os seus livros como forma de fazer brainwashing a uma série de meninas.
Ok, aceito que ela está no direito dela, mas se larguei o Orson Scott Card por ele fazer placement religioso nas suas obras, não vou deixar de apontar esta terrível falha em Meyer.

Pensar na quantidade de mulheres corajosas que se debateram e sacrificaram ao longo de séculos para eu ter o direito a exprimir a minha opinião, poder votar, ter uma carreira, estudar, tomar conta da minha vida sem ter de ter o apelido de um marido, deixa-me indignada. Parece impossível que em pleno século XXI se tente passar a mensagem que "deixar que os homens tomem conta de nós é que é bom", "anulem-se e tornem-se em donas de casa e breaders aos 18 anos", "não tenham muitas ideias e muito menos sexo sem casamento".

Socorro...

Felizmente, temos o outro lado da balança, apesar dele ainda não estar a ser publicado e/ou explorado no mercado português: Chick Power!

Apresento, muito resumidamente, 3 exemplos que considero já clássicos e ilustrativos: Sonja Blue, Anita Blake e Vicky Nelson.
Qualquer uma dela faz a Buffy parecer uma escuteira tímida!

Sonja Blue é a personagem criada por Nancy A. Collins nos anos 80, aparecendo pela primeira vez como a estrela absoluta de Sunglasses After Dark (fabuloso título!).

A edição comemorativa dos 10 anos de publicação permitiu-me finalmente comprar o livro. Sonja Blue é apresentada como uma badass em alguns dos comentários da Amazon e eu confesso que concordo! Sonja é vampira mas, por motivos que não vou revelar, transforma-se numa caçadora de vampiros imparável.
Talvez possa considerar que Nancy A. Collins escreveu e publicou Sonja Blue demasiado cedo, abrindo caminho para autoras como Laurell K. Hamilton, mas sendo ignorada no processo.
A revista Locus do mês de Maio tem um extenso artigo (conjunto de artigos é talvez mais correcto) sobre o que apelidaram de Urban Fantasy que termina com uma longa lista de autores e séries sendo que as obras de Nancy A. Collins foram simplesmente ignoradas, face às congéneres mais recentes.

Fica a lista de títulos da série:
Anita Blake nasce das mãos de Laurell K. Hamilton em 1993, caindo num mundo onde vampiros e werepeople são reconhecidos e vivem livremente entre humanos. Em Guilty Pleasures, o primeiro livro da série recentemente adaptada para BD pela Dabel Brothers, um crime aparentemente cometido por um vampiro, faz a divisão da polícia dedicada a crimes de origem paranormal recorrer a Blake (sim, porque aqui não existe o asseio do sangue artificial; no mundo de Blake os vampiros continuam a alimentar-se de sangue real, usando normalmente dadores voluntários ou bancos de sangue).

Anita, "animadora" de profissão - leia-se invocadora de zombies - trabalha em parceria com a polícia para encontrar o criminoso e exterminá-lo, a sua segunda linha de trabalho e que lhe valeu a alcunha de the executionor entre os vampiros. Nesta realidade os vampiros só podem ser mortos quando existe uma ordem de execução do tribunal, o que dificulta a tarefa da nossa heroína.
Anita acaba por se tornar o alvo da atenção do Príncipe da Cidade que pretende fazer dela a sua "escrava" humana.

Os primeiros volumes da série, até ao Narcissus in Chains têm um tom que se perdeu nos volumes seguintes: a autora decidiu tornar as aventuras detectivescas de Blake num pano de fundo quase descartável centrando toda a prosa nas aventuras sexuais da personagem. Assim, onde antes tínhamos crimes e perseguições temos agora cenas de sexo quase gratuito que se estendem por páginas e páginas de texto.
Esta inversão de género levou Hamilton a perder inumeros fãs de Blake que decidiram deixar de acompanhar a série a partir deste número.
Fica abaixo a lista completa:

Victoria (Vicky) Nelson é a estrela da Blood Series da canadiana Tanya Huff. No primeiro volume da série, Blood Price publicado em 91, Vicky Nelson era uma das melhores detectives do departamente de homícidios de Toronto que, quando assolada por uma doença que lhe limitou a visão, decidiu reformar-se, abrindo uma agência de detectives.
Sendo acidentalmente testemunha de um crime violento, vê-se envolvida numa teia de criaturas paranormais que incluem demónios e vampiros.
Vértice de um triângulo amoroso que inclui um humano (ex-colega do departamento de homícidios) e um vampiro autor de romances históricos (filho bastardo de Henrique VIII) a série de apenas 5 + 1 volumes está completa e é apelativa.
Recentemente foi produzida a série televisiva Blood Ties com Christina Cox, Dylan Neal e Kyle Schmid e que foi transmitida pelo canal americano Lifetime.
Fica a lista de títulos da série:
Enfim...

Ficam as propostas; espero que resultem em leituras!

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Sexta-feira, Abril 10, 2009

Poem por Leonard Cohen


I heard of a man
who says words so beautifully
thai if he only speaks their name
women give themselves to him.

If I am dumb beside your body
while silence blossoms like tumors on our lips
it is because I hear a man climb stairs
and clear his throat outside our door.

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Quarta-feira, Abril 08, 2009

Highlander

Tropecei numa das minhas séries de eleição dos anos 90 e não consegui resistir a fazer este post sobre ela.

Highlander: o meu episódio favorito é Homeland, o primeiro da quarta série, quando Duncan MacLeod regressa à Escócia à procura da campa de uma mulher que se suicidou por amor.

O episódio, recheado das belíssimas paisagens escocesas, é acompanhando pela música Bonnie Portmore de Loreena McKennit (também utilizada no 3º filme da série).

Fica um excerto-resumo da série.

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Quinta-feira, Abril 02, 2009

North and South de Elizabeth Gaskell

Foi com muita satisfação que descobri, finalmente, uma série da BBC capaz de rivalizar com a inigualável adaptação de Pride & Prejudice (1995): intitula-se North & South (2004).

No seu romance, escrito entre 1854 e 55, Elizabeth Gaskell conta-nos a história do amor que nasce entre uma jovem elegante e empobrecida do Sul e um enriquecido e rude homem de negócios do Norte, em plena revolução industrial.

A história ganha corpo quando Mr. Hale, reflectindo a decisão do pai de Elizabeth Gaskell, decide abandonar a igreja por uma questão de consciência e desterra-se para o norte de Inglaterra, levando consigo a esposa, a filha e a governanta para a cidade de Milton, onde as ainda recentes fábricas de algodão fizeram desabrochar uma cidade cinzenta, nublada, de vias exíguas e casebres minúsculos, encavalitados entre escadarias e pequenos pátios onde multidões de trabalhadores apressados tentam sobreviver com dignidade.

Mr. Hale torna-se tutor de várias personagens da cidade, incluindo Mr. Thornton, um jovem homem de negócios respeitado, locatário de uma das mais rentáveis fábricas de algodão da cidade e que, obviamente, se apaixona pela delicada Margaret Hale, que com os seu hábitos e educação sulista origina diversos mal entendidos entre ambos.

A paixão de John cresce perante o olhar descontente de Mrs. Thornton, sua mãe, que julga ver nas palavras e actos de Margaret uma atitude de arrogância e altivez que a torna desmerecedora do amor do filho, um dos solteiros mais cobiçados da região.

Como seria de esperar, os mal-entendidos entre os dois vão-se acumulando e, num momento de confusão na fábrica, perante os empregados enraivecidos, Margaret lança-se nos braços de John com o intuito de o salvar dos grevistas revoltados; ele interpreta a acção como uma declaração de amor pouco recatada, mas Margaret, sem perceber efectivamente porque o fez, afasta-o sem qualquer delicadeza.

Mais tarde, os equívocos são desfeitos, entre muitas lágrimas e sofrimento, inversão de papéis e outras reviravoltas da narrativa, mas o esperado final feliz de North & South acontece, respeitando a tradição de outras histórias semelhantes, como a já referida Pride & Prejudice de 1818.

A diferença da história de Gaskell e das demais está na inclusão de um forte contexto social na narrativa que se desenrola; está em acompanhar os problemas levantados por uma nova realidade: a dos trabalhadores fabris, as suas limitações, o seu esforço pela sobrevivência e a crueldade da falta de meios e cuidados da altura.
Pela mão de Gaskell, acompanhamos os trabalhadores das fábricas no desenrolar de uma greve, no calor da luta por melhores condições, por melhores salários; ao mesmo tempo que percebemos, por acompanharmos também a perspectiva dos empregadores, as efectivas consequências da greve e das exigências na industria, nos mercados em mudança, da concorrência entre a velha Inglaterra e a ainda recente América.

O livro é uma excelente obra e a adaptação da BBC, ponto por onde comecei este post e por onde pretendo terminar, um trabalho rigoroso, fiel e bastante bem conseguido. O casting foi bem feito e os actores deram efectivamente vida às personagens.
Destaque para Richard Armitage (no papel de John Thorton), Daniela Denby-Ashe (como Margaret Hale) e Sinéad Cusack (numa fantástica Mrs. Thorton).

A cena da proposta de casamento de Mr. Thorton a Miss Hale foi cortada (ainda assim, são 4 episódios de 60 minutos, sem genérico), mas podem ver a versão completa na secção de cenas cortadas e recomendo que não deixem de o fazer, principalmente se não leram o livro, pois contém detalhes essenciais.

O final também foi ligeiramente alterado, de forma a decorrer geograficamente em terreno "neutro", entre o Norte e o Sul, numa mensagem de equilíbrio e cedência, ela vinda do Norte e ele do Sul.

O contraste entre as duas regiões foi exacerbado pelo colorido das imagens, sendo o Sul representado numa abundância de cores, entre verdes luminosos e amarelos radiantes, com o céu sempre azul e um Sol omnipresente.
O Norte é cinzento: são os tons pardacentos das chuvas e neves, a sujidade das ruas e a pedra nua e a ausência do Sol - é apenas carregado de lápides que vemos o único campo relvado da cidade.

Na falta de um trailer oficial deixo-vos com um vídeo amador, compilado por um fã da série, retirado do YouTube.



Um livro e uma série a não perder.

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Segunda-feira, Março 30, 2009

Ghost Ship de Brian Hicks

Como escrevi anteriormente, Ghost Ship: The Mysterious True Story of the Mary Celeste and Her Missing Crew de Brian Hicks é um excelente trabalho de pesquisa e informação.

Um livro a não perder para todos os que têm interesse por este tipo de assuntos e se sentem preparados para abandonar todas as ilusões românticas do insondável e inexplicável.

Fazendo uso de uma estrutura clara e organizado cronologicamente, de acordo com os factos comprovados, o autor começa por descrever o nascimento do navio Mary Celeste, inicialmente chamado Amazon, as suas primeira incursões marítimas, assim como as primeiras vitimas e infelizes incidentes que o rodearam desde o momento do seu lançamento às águas.

Passa a apresentar-nos a família Briggs, na qual se inscreve o capitão desaparecido, e como Benjamin Briggs, a sua esposa Sarah Cobb e a pequena Sophia partiram para uma simples travessia do Atlântico a bordo o recém remodelado Mary Celeste e desapareceram no dia 25 de Novembro de 1872.

É no salto para a descoberta do navio abandonado pela tripulação do Dei Gratia e no sucessivo processo em tribunal que as ilusões são desfeitas: Mary Celeste foi um mistério "construído" sobre o real mistério.
O que poderia ter sido apenas mais uma nota de pé de página nos livros de história marítima foi engrandecido por um procurador entusiasmado de Gibraltar.
Tentativas de descobrir conspirações, fraudes de seguros, motins e crimes sinistros foram goradas por falta de provas ou mesmo por provas contraditórias. No entanto, foram suficientes para passar o Mary Celeste e a sua tripulação desaparecida para as primeiras páginas dos principais jornais Europeus e Americanos.

Hicks passa então a desfiar teorias apresentadas em revistas de ficção, começando pelo trabalho de Conan Doyle e o célebre, muitas vezes tomado como verídico, testemunho de Fosdyk publicado na Strand Magazine em 1942.

Passando por todas as teorias possível, desde a captura por um kraken a raptos por extraterrestres ou piratas, ilhas "intermitentes" feitas de areias submergíveis vindas do Sahara, tornados e tempestades, explosões de barris de álcool no porão e bebedeiras que se transformam em motins sangrentos, Hicks termina apresentando a sua teoria, uma evolução da explicação mais plausível apresentada inicialmente um Cobb ainda familiar de Briggs e que efectivamente parece assentar como uma luva.

Não vou obviamente revelar qual a teoria final que procura desvendar o mistério, mas o horror e desespero que devem ter sentido os tripulantes do Mary Celeste, em especial Briggs vendo ao seu lado a esposa e a filha bébe de apenas 2 anos, é em tudo superior aos potenciais finais que incluem tubarões, piratas ou lulas gigantes.

No final somos levados com Clive Cussler e a NUMA numa viagem até ao Haiti, a Ilha do Voodoo, em busca dos destroços do navio fantasma Mary Celeste.

Um livro para ler.

PS: Para quem não sabe, o Mary Celeste foi encontrado abandonado à deriva em Dezembro de 1872 entre os Açores e a costa Portuguesa, sendo que o último registo no diário de bordo o coloca a 6 milhas da costa da ilha de Santa Maria...

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Sábado, Março 28, 2009

George Grie

Não sou fã da chamada Arte Digital.
Tenho a tendência de associar esse termo às montagens pouco imaginativas e demasiado óbvias que povoam a 'net.
Descobri que essa, felizmente, nem sempre é a verdade!

Como me encontro a ler Ghost Ship: The Mysterious True Story of the Mary Celeste and Her Missing Crew de Brian Hicks (que recomendo a todos os que gostam deste tipo de histórias) aproveitei uma pausa na leitura para procurar alguma informação extra, incluindo o nome do conto de Conan Doyle baseado nos acontecimentos de 1872, entre os Açores e a costa de Portugal continental ("J. Habakuk Jephson's Statement") e possivelmente algumas imagens relacionadas.

Associado a Ghost Ship(s) encontrei esta fabulosa imagem:

Esta é a visão de George Grie do Flying Dutchman, o navio fantasma par excellence cuja lenda reza que ele aparece vindo das profundezas das águas, coberto de limos e de negras velas esfiapadas, uivando à lua ao largo do Cabo da Boa Esperança.
A lenda serviu mesmo de inspiração a Wagner, que compôs a opera homónima, ainda assombrando teatros e casas de espectáculo pelo mundo fora.

Vejam a arte de George Grie no link acima, com especial atenção ao seu Ghost Ship Series. Espero que gostem...

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Homejacking

Confesso que este é um termo que anda na boca de muita gente e que me começa a irritar!
Do que me lembro, quando a expressão se torna de uso comum é sob a forma hijacking, associada ao desvio e roubo de aviões e a ideia é precisamente essa: desvio!

Segundo o Free Online Dictionary a definição de hijack é:
a. To stop and rob (a vehicle in transit).
b. To steal (goods) from a vehicle in transit.
c. To seize control of (a moving vehicle) by use of force, especially in order to reach an alternate destination.

Sobre o termo mais genérico de jacking, a Wikipedia diz ainda que:
To illegally, or without the owner's permission, take possession of something by either surreptitiously or through force taking control of or carrying it away, as in carjacking, hijacking, namejacking.

Como pode ser observado, as principais componentes desta ideia é a obtenção do controlo e/ou o desvio de determinada propriedade.
Não me parece que isto possa ser aplicado aos assaltos com pessoas em casa! Um assalto a uma casa enquanto os proprietários se encontram no interior é "um assalto a uma casa enquanto os proprietários se encontram no interior". Ponto.
Claro que "Homejacking aumenta assustadoramente em Portugal" é muito mais giro (e curto!) para se escrever no rodapé dos telejornais! E ser em inglês dá um aspecto mais sofisticado e alarmista, temos de admitir.
Uma espécie de importação criminal.

Que fique claro, já agora, que o motivo que me leva a este desabafo nada tem a ver com a utilização em uso corrente de expressões em inglês.
Sou a primeira a abusar da língua inglesa misturada com a nossa. Sem querer apresentar desculpas só posso dizer que são, de facto, ossos do ofício...

Agora, quando efectuei uma pesquisa no google sobre este tema, descobri que também já existe o "clickjacking" - acto de levar as pessoas a entrarem em sites duvidosos sem que estas percebam (que por acaso, e segundo as definições acima apresentadas, faz mais sentido que o homejacking).

Por favor... Homejacking só faz sentido existir se estivermos a falar de uma pessoa que vive numa caravana ou roulote pelas estradas e é "jackada" nessa "home", que se move! Isso sim, qualificaria como homejacking, mas já se sabe que é preciso vender alarmes, seguros e outras coisas muito úteis contra estas "novas" formas de criminalidade!

Sim, porque o homejacking apareceu apenas agora, fruto da crise; antigamente não existiam assaltos destes, como toda a gente sabe, aliás!
Modernices!

Sexta-feira, Março 20, 2009

A Brilhante Brite

Quando percebi que existia uma forma de poder ler livros fantásticos, dentro das temáticas que me agradavam, sem ter de limitar a minha escolha a um punhado de títulos eleitos que haviam conseguido furar para o mercado nacional, abriu-se-me um mundo novo e incrivelmente fascinante!

Descobri uma loja pequenina, chamada TEMA, num centro comercial novo que ficava a duas ou três paragens de autocarro de distância da minha faculdade e onde podia encomendar livros em inglês, escolhidos por mim entre montanhas de nomes e novidades que ia descobrindo na 'net.

Estávamos, mais ou menos, em 1997 e o advento da Internet (ainda em pacotes pré-pagos acrescidos dos impulsos telefónicos que engordavam a conta lá de casa) deu-me a conhecer uma enormidade de autores que escreviam coisas que eu adorava ler: Histórias de e com Vampiros!

Uma dessa autoras foi Poppy Z. Brite.

Para além de ter criaturinhas dentadas como personagens, tinha New Orleans em comum com Anne Rice e tenho ideia de ter encontrado alguns comentários elogiosos que a segunda tinha feito sobre a primeira.

Comprei Lost Souls e devorei-o com entusiasmo!
Tudo era novo para mim: a perspectiva dela era completamente diferente de tudo o que tinha lido até ai.

Passados alguns anos desde a minha leitura do romance, a imagem que tenho dele, das sensações que experimentei quando o li, estão relacionadas com a intensidade da história, com o colorido de New Orleans, com as experiências de dois amigos perdidos na musica e procurando uma saída de Missing Mile, uma terrinha perdida algures na América, onde aparentemente nada acontece.

Recordo os sonhos de Ghost e a sua paixão por Steve, o seu melhor amigo.
Recordo o isolamento e afastamento de Nothing em relação ao mundo, sem perceber que, não só se achava diferente de toda a gente que o rodeava como o era realmente por ter nascido vampiro.
Recordo ter sentido o livro ensopado no esverdeado Chartreuse, mais do que o vermelho da hemoglobina.
E recordo que gostei, gostei muito.

Este, a meu ver, é um dos romances de vampiros que (re)define o género (talvez um dia destes possa também dizer qualquer coisa sobre isto).

O tempo passou e um dia, quase por acidente, encontrei o Drawing Blood (que devia ter sido intitulado Birdland, não fosse o editor ter achado que o nome não era muito... próprio para um livro de horror) numa prateleira solitária.
Trouxe-o comigo e cai novamente na intensidade das palavras de Brite.

Num regresso a Missing Mile, já sem Lost Souls? acompanhei o desamparado e orfão Trevor perder-se nas recordações da morte violenta da família entre as paredes ainda ensanguentadas da casa onde ocorreram os crimes.
Acompanhei o desespero, o desenrolar da relação entre Trevor e Zack, o fantasma do pai-assassino e os desenhos a cobrirem o chão.
Luzes que se acendem sem existir electricidade, vozes de pessoas que já não vivem.

Estou a ler agora Exquisite Corpse, mas confesso que não me convenceu.
É a história de dois serial killers que se cruzam em New Orleans e que desenvolvem uma relação, idealizando a vitima perfeita em Tran, um jovem vietenamita pelo qual ambos se apaixonam.
Neste trabalho já não encontrei intensidade nas palavras nem na história.


Entretanto li qualquer coisa, escrita pela própria Poppy, sobre o romance Lost Souls e a visão que ela tem dele hoje, e fiquei um pouco decepcionada com a postura que ela apresentou.

Não fiquei surpreendida, ainda assim.
Este é um fenómeno que acontece com algum frequencia e não só na literatura.
Os Sisters Of Mercy, num das ultimas vezes que tocaram no Porto, pediram aos rodies que espalhassem fumo sobre a plateia de fãs porque não queriam actuar perante aquela imensidão de gente vestida de preto, explicando ter ultrapassado essa "fase".
A própria Anne Rice passou a escrever outro tipo de horror, dedicando-se a romancear a vida de Cristo.

Depois de alguns livros de contos e 3 romances, Poppy mudou o alinhamento e passou a escrever aquilo que aparece descrito como sendo "comédias negras passadas no mundo dos restaurantes de New Orleans" (os "Diários da ASAE"?).
Não posso dizer muito sobre isto porque ainda não li nenhum dos volumes.

Confesso que para mim, a Poppy Z. Brite que leio e aprecio é esta de que falo aqui, a autora dos anos 90, passeando sob a luz da lua pelas ruas desertas de Missing Mile, agarrada a uma garrafa de chartreuse na companhia de Nothing, Ghost e Trevor, trauteando músicas dos Lost Souls?.

Julgo que nenhum dos trabalho de Poppy Z. Brite está ainda publicado em português, mas considerando esta nova onda de vampiros para a nova geração, trazidos agora para a luz pelos dedos da Meyer e companhia, é capaz de não faltar muito tempo para a vermos a encher as prateleiras das novidades.

Com alguns anos de atraso, é certo... Mas mais vale tarde!

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Quinta-feira, Março 19, 2009

Livros Giros aos Pontapés!...

É com um misto de felicidade e esperança que tenho acompanhado a multiplicação de novas colecções de livros associados ao horror e ao fantástico que recuperam edições de clássicos e/ou antiguidades e os publicam a preços relativamente acessíveis.

Neste momento, recordo três colecções/editoras que o estão a fazer especialmente bem.

Num primeiro lugar destacado, pelas obras e pelo preço, posiciono a colecção Wordsworth Mystery & Supernatural que recuperou obras e autores, alguns que acabaram por ganhar nome publicando trabalhos noutros géneros, apresentando-os a preços na casa dos 5,00€.
Tenho comprado todos os que aparecem na FNAC e não estou nada arrependida!

Aproveitem!

Em segundo lugar, coloco a Orion Books, a publicar um conjunto de volumes pela Gollancz. Neste caso os volumes são de trabalhos com edições mais recentes e que podem ainda ser encontrados disponíveis no mercados em outros formatos.
Exquisite Corpse (Poppy Z. Brite), Fevre Dream (George Martin) ou Something Wicked This Way Comes (Ray Bradbury) são só alguns dos volumes que não posso deixar passar em branco.
Quem ainda não teve oportunidade de juntar algum destes volumes à sua biblioteca não pode perder esta ocasião.
O preço ronda os 13€.

A posição do bronze vai mesmo para a colecção Gothic Red Classics (que por acaso é amarela) da Penguin, a editar também clássicos menos conhecidos, mas por nomes sonantes como Bram Stoker ou H. P. Lovecraft.
Estes volumes têm preços menos simpáticos que os da colecção da Wordsworth e podem ser encontrados, tal como a colecção da Gollancz, a cerca de 13€.

Fica um alerta: cuidado com a repetições!
Os volumes da Elizabeth Gaskell, por exemplo, contrapõem 9 contos (Wordsworth M&S) a 4 (Gothic RC), sendo que desses 4 contos, 3 deles existem em ambas as edições.
Se para além disto, tivermos ainda em conta o facto do volume da Wordsworth custar cerca de 5€ e o da Penguin aproximadamente 13€...

Em Portugal, relativamente a este tipo de opções, recordo a colecção vermelha Beltenebros da Assírio e Alvim, contendo nomes como Ambrose Bierce e Huysmans.

Bem... O objectivo inicial deste post era falar de uma das minhas autoras favoritas, Poppy Z. Brite, mas vou deixar isso para o próximo post.

Por hoje, fico por aqui! Boas compras, boas leituras!

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Segunda-feira, Fevereiro 16, 2009

Praia das Maçãs



Sintra tem mais encanto... de Inverno!

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Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Porto.

Desta vez, o Porto soube-me tão melhor...






A Ribeira e o Douro num fim de tarde de Janeiro.














A Igreja de São Francisco: sob um lânguido Sol de Inverno espreguiça-se a pedra escura, ocultado catacumbas de ossos brancos de anos.

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Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Braga entre a Chuva...


Imagem lateral da Sé de Braga num dia de chuva.

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